Douglas Dias

Olá!

Quero compartilhar com você um pouco da minha vida financeira e o que me fez chegar a esse blog.

Minha educação financeira resumiu-se, quando criança e adolescente, a ver como meu pai e minha mãe lidavam com o dinheiro.

Meu pai já tentou de um tudo: Bar, armazém, padaria… eu sempre via ele começar algo e, pouco tempo depois, enfrentar sérios problemas. Sócios ruins, momentos econômicos terríveis… quase sempre ele precisava recomeçar. Mas ia em frente, com uma enorme garra. E por isso tenho total orgulho dele e de minha mãe, que sempre foi seu braço direito. Criaram três filhos quase que por milagre.

Entretanto, dessas experiências eu tirava a seguinte conclusão: “Preciso estudar para conseguir um bom emprego. Ser empresário é uma furada! Meu pai só trabalha, nunca tira férias e vive com dificuldades financeiras! Não, tô fora!”

E eu fui por aí. Formei-me em 2006 em engenharia. Tive duas disciplinas de economia, onde pude conhecer um pouco desse mundo das finanças. Saí da faculdade já trabalhando numa empresa privada, na minha área de formação. Nesse mesmo ano, recebi de um colega de trabalho um livro do Gustavo Cerbasi chamado “Dinheiro, os segredos de quem tem”. Com ele eu pude rever com mais detalhes conceitos que passei rapidamente na faculdade e fiquei intrigado com o poder dos juros compostos nos nossos investimentos.

Mas a corrida dos ratos me chamava! A vontade enorme de ter o primeiro carro me colocou num financiamento de um 1.0. Entrada pequena, financiamento de um valor de quase 20% da renda. Mesmo não podendo, a gente quer ter. Eu até poderia pagar as prestações, mas eu precisava mesmo de um carro?..

Meu casamento foi programado para 2008. Bom, casar não é fácil, financeiramente falando (será que só financeiramente??? 🙂 ). Eu trabalhava, minha futura esposa estava na faculdade, nos estágios da vida. Praticamente todo o investimento do casório saiu do meu bolso. Nessa época, eu já tinha minha planilha de orçamento doméstico, e fiz o máximo pra controlar tudo, todos os investimentos necessários para o projeto do casamento.

E, pra não ficar diferente, quem casa quer casa certo? E lá estávamos eu e minha futura esposa procurando apartamentos. Em 2007, o setor imobiliário ainda não sofria da extrema valorização percebida a partir de 2008, daí entramos num financiamento de um apartamento.

Então o cenário era o seguinte: Com dois anos de formado e uns três anos de trabalho, eu tinha um carro, um apartamento e ia casar.

Isso parece lógico? Não mesmo. Parece familiar? Se não, que bom. Se sim, bom, continue lendo…

Veio o casamento, e o carro teve de ir. Ficamos com o apartamento financiado e com as despesas do casamento a serem pagas.

Um apartamento entregue sem nada vai exigir um investimento em móveis, algumas obras pequenas… e lá se vai mais dinheiro. Em 2009 a prioridade foi essa.

(Ah sim! Uma parada para comentar que, já em 2007, comecei a sondar o caminho do concurso público. Fiz algumas provas, mas o foco ainda não era esse.

Em 2009/2010 comecei a estudar mais sério para provas de concurso. Acabei sendo aprovado em alguns, indo para o famoso cadastro de reserva. E ali fiquei por um tempo…)

Em 2010 também houve uma viagem internacional para um casamento de pessoa da família. Fizemos a viagem e voltamos com mais dívidas.

Veja: carro, apartamento, casamento, viagem internacional em menos de cinco anos de trabalho assalariado. Tem como a vida financeira se estabilizar? Não estou nem falando em um notável patrimônio, falo de coisas básicas como gastar menos do que ganha, economizar, gerar uma poupança…

É importante dizer que, mesmo com esses desarranjos financeiros, eu já tentava fazer alguma coisa para guardar/investir algum dinheiro. Mas sem muito sucesso. Também buscava alternativas de fundos de investimento e cheguei até a comprar ações, mas com pouca experiência e sem entender direito o que eu estava fazendo. Mas eu estava me interessando cada vez mais pelo assunto, acompanhava as notícias sobre economia, finanças pessoais…

Não sei em que momento nesse caminho apareceu lá em casa o livro “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, do Cerbasi (novamente ele!). Lemos o livro todo juntos, eu e minha esposa, mas não foi suficiente para fazer-nos mudar as atitudes em relação ao dinheiro.

Como sempre se absorve algo positivo da leitura de um bom livro, depois de ter parado de controlar meus gastos em 2008, voltei a fazer o controle, agora dos gastos do casal, em 2011.

Em 2012, duas grandes mudanças. Fui chamado para o concurso que havia feito em 2010 e meu filho nasceu.

Com a mudança no emprego e o aumento na renda, vi a possibilidade de começar a fazer algum planejamento financeiro, mantendo o padrão de vida como estava. Embora a gerente do banco tenha sugerido planos de previdência privada para nós (cuidado com as indicações de gerentes de banco! Elas vão te levar, quase sempre, a produtos que interessam mais ao banco!), consegui fazer uma estratégia de ir colocando um valor todo mês em um fundo de ações para o meu filho e estava estudando e investindo em ativos de renda fixa.

Só que a empolgação com a renda maior nos levou a muitos erros. Presentes caros para familiares, festa, viagem… resultado: O padrão de vida estava adequando-se à renda.

Em 2013, depois de muita confusão no orçamento, conseguimos estabilizá-lo e os investimentos começaram a ficar constantes, ainda que modestos.

Comecei a estudar mais e aprender a operar na bolsa de valores, comprando alguns papéis, mas não estava sabendo direito o que eu queria, qual era a minha estratégia na bolsa.

Em 2014, grandes mudanças. Colocamos nosso apartamento à venda, para mudar de bairro na mesma cidade. Começava uma maratona de corretor/anúncio/pesquisa de imóveis etc. Quanta confusão… mas vendemos nosso apartamento e, mesmo com todos os abatimentos, conseguimos receber um capital interessante, pois pegamos a valorização do período 2008-2013, que foi bem grande.

Mas essa venda não significaria nada se entrássemos num outro financiamento de um apartamento bem mais caro, aumentando muito a prestação do financiamento (e comprando mais passivos). Após muita conversa, decidimos alugar um apartamento.

Agora tínhamos dinheiro sendo investido! Nosso patrimônio começava a se desenvolver. Com isso, aprofundei ainda mais os estudos sobre como investir com estratégia.

Em janeiro de 2015, eu li o livro Pai Rico, Pai Pobre, de  Robert Kiyosaki e Sharon Lechter (veja meus comentários sobre o livro aqui). Eu acho que aqui houve a divisão de águas na minha vida financeira, na maneira como eu vejo a vida e as nossas conquistas.

Esse livro é o que eu chamo de “soco na boca do estômago”. Ou melhor, vários socos! Na medida que o autor ia descrevendo tudo o que faz a classe média, que passa toda a sua vida comprando passivos, que o rico, na verdade, foca sempre na compra de ativos, que uma pessoa rica trabalha para aprender, não pelo dinheiro, eu analisei tudo que eu vinha fazendo e vi que tinha de mudar muita coisa.

A decisão de alugar um apartamento já havia sido tomada e, então, um passo havia sido dado no sentido de acumular patrimônio. Nosso dinheiro começou a trabalhar para nós, ainda que muito modestamente. Mas ler o livro do Kiyosaki só confirmou pra mim que nossa decisão foi acertada.

Outros livros vieram e continuam vindo, o que me deixa cada vez mais certo de que precisamos buscar nossa independência financeira através de três ações:

TRABALHAR, POUPAR e INVESTIR.

É por isso que escrevo esse blog. Gostaria de mostrar a você que podemos transformar nossa realidade a partir das nossas atitudes em relação ao dinheiro. Se tivermos disciplina, persistência, foco e estratégia, mudamos muito, e para melhor. Daí, com o aumento da renda e da poupança, podemos valorizar e proteger nosso maior patrimônio:

Patrimonio

Fico feliz por poder compartilhar o que sei sobre trabalho, poupança e investimentos com você. E quero também aprender muito com suas experiências. Vamos juntos melhorar nossa vida financeira. Só depende de nós!

Um abraço!