Renda, riqueza e os impostos – conheça a “gastonite”

Olá,

Uma vez ouvi de um professor em um curso sobre finanças:

A nossa vida de investidor é, tão somente, uma briga para pagar menos impostos.

No livro O Milionário Mora ao Lado, de Thomas J. Stanley e Willian D. Danko, eles dissecam a vida de vários milionários americanos e mostram o que fizeram para conseguir acumular riqueza. Muitos e muitos estudos, várias estatísticas, para chegar na conclusão de que o que eles fizeram foi:

  – Trabalhar

  – Poupar (em alguns casos poupar muito)

  – Investir com estratégia

Eu fico feliz em ver essas constatações sendo demonstradas empiricamente porque é nisso que eu acredito (basta ver o nome do blog 🙂 ). Não há outro caminho, em 99% dos casos.

E uma coisa que acontece com quem poupa e investe é que, mantendo o dinheiro investido, seu capital vai crescendo e sua renda vai ficando cada vez menor em relação ao seu patrimônio. Esse é o segredo que faz com que ricos paguem menos impostos. Por terem uma vida sem excessos, a sua renda realizável é pequena frente ao patrimônio líquido. E imposto é, na maioria das situações, sobre renda (vamos entender ganhos de capital como uma renda realizada). Daí a diferença entre renda e riqueza.

O contrário acontece com quem sofre de “Gastonite”.

Veja essa historinha, que transcrevi de um dos capítulos do livro. Explica um pouco essa percepção de que renda é o que o governo quer que você tenha. E mostra porque quem sofre de “gastonite” são os mais queridos pelos cobradores de impostos.

Renda e riqueza

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Conheça os funcionários públicos Bob Stern e John Young. Bob, um especialista que trabalha para o departamento do imposto de renda. John, o seu gerente.

Certo dia, John chama Bob e lhe dá a seguinte tarefa: informá-lo melhor sobre a relação Renda x Riqueza.

Sr. Young: Bob, tenho lido muitos relatórios sobre o crescimento da população de milionários.

Sr. Stern: Sim, eu também tenho na minha mesa uma pilha de artigos de jornal sobre esse assunto.

Sr. Young: Bem, o problema é o seguinte: O número dos ricos está crescendo rapidamente. Mas o imposto de renda que recebemos dessas pessoas não está aumentando no mesmo ritmo.

Sr. Stern: Já li em algum lugar que os lares mais ricos do país, que são 3,5% do total, respondem por mais da metade de toda a riqueza pessoal. Mas essas mesmas pessoas respondem por menos de 30% da renda.

Sr. Young: Eu só gostaria que o congresso acordasse. O que este país precisa é de um imposto sobre a riqueza. Até nos tempos bíblicos os ricos tinham de dar 10% de sua riqueza anual em impostos. É isso que eu chamo de reforma tributária radical.

Sr. Stern: Eu sei o que o senhor quer dizer. Mas mais cedo ou mais tarde vamos botar as mãos neles. Lembre-se, há duas coisas inevitáveis na vida – a morte e os impostos.

Sr. Young: A área de impostos sobre o espólio não é sua especialidade Bob. Você é um pouco ingênuo nesta questão. Você pensa que vamos acabar dando uma boa mordida em todos os milionários neste país taxando seu espólio.

Sr. Stern: O Anjo da Morte está do nosso lado.

Sr. Young: Calma lá Bob. Pense em todos os milionários deste país. A maioria deles é proprietária de uma firma, e muitos possuem ações. O que essas pessoas fazem com o dinheiro? Sentam em cima dele, ou então reinvestem nos seus negócios. E conservam ciosamente todas as ações que tendem a se valorizar.

Sr. Stern: Mas e o anjo da morte?

Sr. Young: Veja as coisas da seguinte forma, Bob. Já vimos declarações de espólio na faixa de US$ 1 milhão ou mais. Ano passado vieram apenas 25 mil. Porém, ao mesmo tempo, havia 3,5 milhões de milionários vivos e bem vivos. Isso significa que apenas 0,7% foi apanhado pelo Anjo da Morte. Esse número deveria ser o dobro. Mas sabe o que muitos milionários fazem? Antes que o Anjo da Morte apareça, eles se transformam num passe de mágica.

Sr. Stern: Mas como eles fazem isso? Eles não podem simplesmente desaparecer. Será que se mudam para outro país antes de o Anjo aparecer?

Sr. Young: Mudar-se não é um fator significativo. Mas eu não ficaria admirado se descobríssemos que metade dos milionários se transforma em não-milionários AA.

Sr. Stern: O que quer dizer AA?

Sr. Young: É um termo do nosso jargão, significa “Antes do Anjo”, ou antes da morte. É o contrário de DA, “Depois do Anjo”. Veja esse estudo de caso. Eis aqui uma mulher, Lucy L., que tinha US$7 milhões apenas um ano antes de morrer. Ela vivia do dinheiro de sua pensão. Nunca na sua vida vendeu qualquer ação do seu portfólio. A sua riqueza dobrou em apenas seis anos, entre os 70 e os 76 anos de idade. Mas o que nós conseguimos obter de tudo isso? Em termos de imposto de renda, quase nada. Ela não tinha praticamente nenhuma renda realizada no seu portfólio. Eu odeio a renda não realizada!

Sr. Stern: O senhor tem razão. É um inimigo inteligente. Mas o Anjo da Morte a apanhou, certo? A morte e os impostos.

Sr. Young: Errado Bob. Ela morreu no ano passado. E sabe qual era seu patrimônio líquido quando o Anjo finalmente apareceu? Menos de US$200.000. Nenhum imposto sobre o espólio. Mais um ex-milionário que se vai sem deixar espólio tributável. Há dias em que eu gostaria de mudar para outro ramo de trabalho. O inimigo está vencendo.

Sr. Stern: Mas onde foi parar todo o dinheiro dela?

Sr. Young: Ela doou para a sua igreja, duas universidades e uma dúzia de organizações de caridade. Deu também US$10.000 a cada um de seus filhos, netos, sobrinhos e sobrinhas. Ela é uma pessoa típica do interior – cheia de parentes.

Sr. Stern: E no final a gente acaba ficando com o quê?

Sr. Young: Nós, o governo, acabamos ficando com nada! Dá para acreditar? O governo dela própria! Não há justiça na América. Precisamos de um imposto sobre a riqueza, urgente.

Sr. Stern: Bem, parece que ela foi uma pessoa bem legal, para ter dado tanto dinheiro para igrejas, universidades e obras de caridade.

Sr. Young: Bob, você devia ter vergonha. Ela e as pessoas do tipo dela são nossas inimigas. A América precisa da riqueza delas para manter nosso governo funcionando. Precisamos do dinheiro delas para pagar a dívida interna. Precisamos financiar todos os nossos programas sociais.

Sr. Stern: Talvez ela achasse que a igreja, as universidades e as obras de caridade também têm as suas necessidades.

Sr. Young: Bob, você é tão ingênuo. Essa mulher é uma amadora. Que experiência ela tinha em distribuir riqueza? Nós somos o governo. Somos especialistas em distribuir a riqueza. Nós é que deveríamos decidir onde e como a riqueza deve ser distribuída. Somos profissionais. Temos de começar a taxar a riqueza antes que todos os milionários se transformem em não-milionários!

Sr. Stern: E o que dizer dessas pessoas famosas que saem nos jornais? As de renda muito alta?

Sr. Young: Deus abençoe essas pessoas, Bob. Elas são as nossas melhores freguesas. Adoro as pessoas que ganham muito. A renda realizada é a nossa salvação. Quero que você estude estes tipos. Mas também quero que você descubra como aqueles outros tipos conseguem existir sem realizar grande parte de sua renda. Será que vivem como monges? O que há de errado com essa gente? Por que eles não vendem alguns milhões de dólares de suas ações na Bolsa e compram uma mansão?

Sr. Stern: É por isso que você tem essas fotos de celebridades mais bem pagas da América coladas na parede da sua casa?

Sr. Young: Claro, eu adoro essa gente. Eles sofrem de uma doença gravíssima, a Gastonite. E, para gastar, precisam ter renda realizada, isto é, tributável. Veja as coisas desta maneira. Quando um jogador de basquete compra um iate de US$2 milhões, nós nos tornamos parceiros dele. Ele vai precisar realizar US$4 milhões para poder pagar US$2 milhões pelo barco. Seremos parceiros dele.

Sr. Stern: Jogadores de basquete? Será que eles são bons exemplos para nossos jovens?

Sr. Young: Claro. Esses aí são os gastadores de alta renda. Eles dizem aos nossos jovens: “Ganhe e gaste!”. É só sobre a renda realizada que a nossa juventude precisa aprender. Esses tipos gastadores são os verdadeiros patriotas. É por isso que coloquei na parede a definição que o dicionário Webster dá de “patriota”. Leia para mim, Bob.

Sr. Stern: “Patriota: Aquele que ama seu país e apoia fervorosamente a sua autoridade e seus interesses.”

Sr. Young: Sim, Bob. Apoia fervorosamente sua autoridade e seus interesses. Sabe, Bob, os verdadeiros patriotas são as pessoas que ganham grandes rendas – US$100.000, US$200.000, US$1 milhão ou mais por ano – e gastam tudo o que ganham. O congresso deveria cunhar uma nova medalha para esse tipo de patriotismo. Deveria ser chamada “Medalha de Tributação e Consumo”. E enquanto esses patriotas continuarem a treinar seus filhos para ganharem também essas medalhas, estaremos em boa forma. Bob, você não acha que nós deveríamos começar a mandar cartões de Natal para todas as companhias que promovem carros de luxo, iates, casas de US$1 milhão, roupas e acessórios caros? Essas pessoas também são verdadeiros patriotas, à sua maneira. Eles incentivam os gastos. Eles é que nos sustentam. Bem, Bob, está ficando tarde. Você tem sua lição de casa. Quero saber mais sobre esses ganhadores de medalhas. Mas também quero que você estude como vivem aqueles que não gastam o dinheiro que têm.


Espero que você possa estar no caminho para pagar cada vez menos impostos!

Um abraço!

P.S.: Leia o livro. Excelente leitura.

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

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