A história de alguém que tem medo do dinheiro

Uma história do nosso dia a dia, mais normal do que deveria…

Era uma vez Maria. Maria e seu amigo João costumam conversar sobre coisas da vida. Maria possui uma vida tranquila. No trabalho, possui uma boa remuneração. Vive em um imóvel próprio, quase quitado. Possui carro, faz viagens rotineiras.

Maria não tem costume de guardar dinheiro.

Um dia, em uma conversa, Maria falou:

– João, estou pretendendo me mudar para um apartamento maior. Moro num apartamento pequeno, já não estão cabendo minhas coisas. Sabe, preciso melhorar minha qualidade de vida.

– Maria, o apartamento que você vive é seu, não é?

– Sim. Estou terminando de pagar as prestações. Em breve estará quitado. Inclusive estou pensando em vender o carro para quitar.

– Ótimo! Você me disse algumas vezes que usa muito pouco o carro. Então acaba sendo menos uma despesa, e ainda te ajuda a quitar o seu apartamento. Mas, por que mesmo você quer sair dali? O bairro não é bom?

– Sim é.

– Sei. E a região onde você mora possui mercado, escola, essas coisas?

– Sim possui, é uma região muito boa da cidade onde moro. Mas, sabe, um apartamento pequeno desses… preciso de mais um quarto. Na verdade, pretendo ficar no mesmo bairro.

– Mas você é solteira e não tem filhos. O espaço não está sendo suficiente?

– Meu armário, por exemplo, já não cabe quase nada. Ele é muito pequeno… e o meu banheiro, muuuuito pequeno…

– Sei. Olha minha amiga, eu, no seu caso, procuraria resolver essa situação simplificando a vida. Se o seu armário não está dando conta, será que não tem muita coisa ali que pode ser doada/vendida?

– Ah sim. Sem dúvida. Eu faço isso de vez em quando. Mas tem outra coisa também.

– O quê?

– Estou pensando em ter um cachorrinho. E isso, num apartamento pequeno desses, será impossível.

– Huuuuuuum….. Mas, Maria, sobre a sua saída, você pretende vender o imóvel? Olha, prepare-se para desembolsar uns 100 mil reais em despesas burocráticas (afinal isso aqui é Brasil e aqui temos uma jabuticaba luso/brasileira chamada cartório).

– Não não. Vou ficar com o imóvel e vou alugar outro.

– Entendi. Menos mal né, afinal se a região é boa não vale a pena vender o imóvel.

– Sim. Vou tentar achar um aluguel que seja num valor próximo ao aluguel que vou receber.

– Certo. Olha, quem sabe você acabe descobrindo que talvez o melhor seja ficar no seu ap mesmo. Afinal ele é seu. Um aluguel de um apartamento maior, na mesma região, fatalmente será mais caro. E, além disso, com seu imóvel quitado, você pode ir guardando um dinheiro mensalmente.

– É. Mas, sabe, eu prezo muito minha qualidade de vida. Não ligo para dinheiro.

– Claro.

Conversa encerrada.

Conclusão:

Por que será que as pessoas têm tanto medo do dinheiro? Por que é tão absurdo fazer uma poupança para você, sua família, para poder ter mais liberdade de escolhas?

Por que temos que correr atrás de subterfúgios para fazer com que outros cuidem do dinheiro que ganhamos?

Pessoas têm, diariamente, oportunidade de fazer escolhas, boas ou ruins. E tais escolhas vão se refletir no futuro. Para o bem ou para o mal. Escolher viver num imóvel alugado, gastando mais do que você irá receber de valor de aluguel, correndo o risco de assumir despesas extras (muito altas às vezes) de condomínio/IPTU, com o intuito único de ter mais espaço para acumular mais coisas? Será essa uma boa escolha?

Não ligar para dinheiro não significa que você não possa guardá-lo para possíveis emergências, possíveis oportunidades… não guarde tudo, mas guarde algum. Se um dia uma doença acometer um ente querido, e você precisar de dinheiro para ajudá-lo, vai fazer como? Plano de saúde não cobre tudo.

Se um dia seu pai ou sua mãe se ver endividado, precisando de ajuda, vai fazer como?

E o seu trabalho? Ele é eterno? Sua fonte de renda é eterna?

Você pode não ligar para o dinheiro, mas ele não vai aceitar desaforo. Escolhas ruins podem não mostrar os resultados ruins agora, mas podem refletir no futuro.

Menos é mais. Escolha o simples!

Um abraço

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

2 Comentários

  1. Andre Luis de Aguiar Lopes

    Ótimo texto, trata-se de viver um degrau abaixo de suas possibilidades. O difícil é as pessoas entenderem que isto não é privação, justamente o contrário.

    Abraço.

    • Olá André!

      Obrigado pelo comentário! Ontem, conversava com um amigo sobre esse assunto, e ele me falou uma frase que já ouviu e que resume bem isso. Para algumas pessoas, “dinheiro guardado é vida não vivida”.

      Hoje eu vinha para o trabalho e uma pessoa na minha frente conversava sobre uma situação que ela passou. Ela falava muito alto, daí não tem como não ouvir 🙂

      Ela foi assaltada. Levaram a carteira dela com os três cartões de crédito que possuía. Nas palavras dela:

      “Amiga, você sabe que eu gasto pra c.. Eu recebo, pago a fatura dos cartões e vivo com eles. E agora tô sem nada.”

      Ela não percebeu que ela já está sem nada há tempos.

      Valeu André. Um abraço!

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