Com que frequência eu acompanho minha carteira de ações?

Olá,

Recentemente, conheci uma pessoa que estava iniciando os investimentos em ações. A ideia seria usar uma estratégia fundamentalista para identificar as empresas para se ter na carteira.

Durante a conversa, ela me disse que estava pensando em criar uma carteira com boas empresas e manter…

e avaliar o desempenho, em média, uma vez por semana

Eu queria te perguntar:

Quem tem investimentos em ações para o longo prazo precisa acompanhar a carteira com que frequência? O que você diria?

Negociação constante: Maior ansiedade, menor retorno

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Em abril de 2000, os economistas Brad Barber e Terrance Odean publicaram o artigo “Trading is Hazardous to Your Wealth” (A Negociação é Prejudicial à sua riqueza), no Journal of Finance (veja esse artigo com uma análise sobre o estudo dos economistas – em inglês). Eles analisaram dezenas de milhares de traders, entre 1991 e 1996, e demonstraram que os retornos dos traders mais ativos eram 7,1% inferiores aos dos que negociavam raramente.

Quanto menos você acompanhar o mercado, mais vai manter suas ações e seus investimentos. E quanto menos giro no patrimônio, menos taxas, menos corretagem, menos imposto e mais retorno sobre seus investimentos você vai obter.

Uma frase resume bem essa estratégia de ficar acompanhando com uma frequência muito grande o mercado (infelizmente não me recordo da fonte):

Quando analisava o mercado semanalmente, não conseguia entender como alguém poderia investir seu dinheiro em ações. Agora, olhando o mesmo mercado numa perspectiva de cinco anos, não consigo entender como fiquei tanto tempo sem investir em ações.

Bolsa: pra dar certo, precisa ser sem emoção

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A estratégia de longo prazo na bolsa implica se afastar do mercado, das notícias, das recomendações de compra/venda dos analistas de corretoras (Petrobrás: manter; Vale: vender) etc.

O que você precisa fazer é:

1 – Analisar empresas – Alguns itens importantes (claro que tem mais coisa, mas o básico é isso):

– Lucro consistente ano a ano;

– Dívida controlada;

– Boa governança.

2 – Estudou bem as empresas? Estude mais;

3 – Sente-se mais seguro? Definiu por onde começar? Comece a montar sua carteira – qual a porcentagem de cada empresa na composição dos seus investimentos;

4 – Ir comprando aos poucos, mensalmente;

5 – Acompanhar o balanço das empresas. Se a empresa está indo bem, uma vez ao ano é suficiente. Se os fundamentos começam a piorar, analise trimestralmente;

6 – Se a empresa piorar de fato, perdendo os fundamentos, inicie uma estratégia de saída. Vá vendendo aos poucos.

Fazendo assim, é possível entrar e ficar na bolsa por anos, sem sucumbir às crises e orientações dos analistas.

Ser Buy and Hold não é fácil. Às vezes, ser um trader pode ser mais tranquilo. Porque, nas crises, saiba que você será testado. E nos momentos de euforia, idem. Por isso, o melhor é não dizer que você investe em ações.

Guarde para você. Evite falar sobre isso. Porque nos grandes movimentos do mercado você será questionado.

Eu às vezes não consigo, pois gosto de compartilhar conhecimento. Quando essa pessoa me trouxe o que era a sua percepção sobre acompanhar uma carteira visando o longo prazo, não consegui me conter e passei a explicar um pouco do que eu coloquei aí acima.

Mas, mesmo assim, pode ser que nada mude. Indiquei as minhas fontes de informação, e cada um seguiu para o seu canto. Se vai surtir efeito, se vai mudar algo no jeito de investir dessa pessoa, não sei mesmo. Só sei do que tem acontecido comigo nos poucos anos de bolsa. Aos poucos o capital vai crescendo, mas sem desespero, sem alarde.

Investir precisa ser algo chato. Se tem muita adrenalina, muita emoção, provavelmente você perderá dinheiro.

Comprar um pouco de ações mês a mês acaba sendo algo chato, sem emoção. E é por aí. Só assim, no longo prazo, colheremos os frutos da paciência e da disciplina. E a emoção virá em ver o resultado do seu esforço.

Um abraço!

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

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