Axiomas de Zurique – NÃO VALE O SEU DINHEIRO

Olá,

Então, caro leitor, comentários sobre o livro Axiomas de Zurique.

Resumo: Não gaste seu dinheiro com isso.

Se quiser pode parar por aqui. Mas eu vou descrever um pouco do que há no livro e no final eu conto como obtive meu dinheiro de volta 😀 .

Primeiramente, por que eu comprei esse livro?

Bom, pesquisando sobre bibliografias de finanças, em vários sites eu via a indicação desse livro. Alguns dizendo que ele era mais apropriado para quem usa estratégias de trade, outros indicando o livro para qualquer tipo de investidor. Daí decidi comprá-lo.

Ele estava na minha lista de 12 livros, para o mês de março. Mas quando ele chegou eu vi que era um livro pequeno, de leitura rápida. Peguei pra ler em janeiro mesmo.

O autor, Max Gunther, diz que conheceu/conviveu com alguns banqueiros suíços muito bem-sucedidos, e que todos eles tinham um enorme faro para bons negócios. Não sabiam muito bem como explicar isso, mas tinham uma boa dose de assertividade nos seus investimentos. Daí surgiu a ideia de compilarem os seus conhecimentos em 12 grandes axiomas (e outros 16 axiomas menores), os quais estão elencados no livro.

Max Gunther: Não há investidores. Apenas especuladores

Max Gunther argumenta que não existem investidores. Todos que colocam dinheiro em alguma coisa estão, na verdade, especulando. Seja num cassino, num jogo de poker, no mercado de ações, comprando ouro etc. Você sempre estará especulando. Daí ele elimina o termo “investidor” e trata a todos como “especuladores”.

Será que é sempre isso? De fato, ao retirar o dinheiro da sua mão/conta e mandar para alguém, desde o seu amigo que te prometeu pagar o dobro (nunca entre nessa!!!) até o governo, há sempre o risco. Mas isso precisa ser analisado por você para que você entenda bem onde vai colocar o dinheiro, e que dose de risco consegue suportar.

Independentemente do termo que se use para uma pessoa que coloca o dinheiro em algo, há opções boas para você alocar o seu dinheiro, bem como outras horríveis. Cabe a cada um estudar e escolher a melhor possível.

Alguns axiomas problemáticos

O primeiro axioma já começa a não fazer muito sentido. Ele diz o seguinte:

Preocupação não é doença, mas sinal de saúde. Se você não está preocupado, não está arriscando o bastante.

Repare que ele já começa arrebentando com o que você achava que era o normal. Pelo menos para mim. Arriscar sim, mas ficar constantemente preocupado talvez não seja a melhor forma de viver.

A pá de cal

Outros axiomas vão fazendo você se contorcer no sofá: “Como é que é? Os banqueiros ricos da Suíca realmente fazem isso? Mas o cara escreveu um livro sobre isso. Ele deve ter razão. Vamos seguir…”

Contudo, veja o que diz o décimo segundo axioma:

Planejamentos a longo prazo geram a perigosa crença de que o futuro está sob controle. É importante jamais levar muito a sério os seus planos a longo prazo, nem os de quem quer que seja.

E, pra fechar com chave de ouro, o décimo sexto axioma menor:

Fuja de investimentos de longo prazo.

Então… o que podemos dizer? Será que os ricos banqueiros suíços ficaram ricos fazendo investimentos de curto prazo? Vendendo na alta e comprando na baixa os melhores ativos, com montantes cada vez maiores de dinheiro, e daí ficaram ricos? Será que se a gente for olhar os grandes investidores, os que ficaram ricos, eles usaram essa estratégia de ignorar investimentos de longo prazo?

Pena que esse era o último axioma… eu poderia ter parado a leitura bem antes e poupado meu tempo.

É tudo descartável?

Olha, você pode até encontrar uma coisa ou outra coerente. Por exemplo, o segundo axioma diz:

Realize o lucro sempre cedo demais.

Isso pode fazer sentido se você está numa estratégia de trader, negociando papéis na bolsa… para quem adquire ações de empresas visando o longo prazo isso não faz diferença. Mas, de fato, realizar o lucro com quando o alvo é alcançado é o que vai diferenciar os vencedores dos perdedores em investimentos. Esperar o topo para sair vai, fatalmente, fazer o investidor perder dinheiro.

Mas a confusão mental que esse livro pode gerar em você não vale a pena.

Faz o seguinte: Pega o dinheiro que você gastaria nele e vai no cinema, ou leva sua família pra tomar um sorvete. Será um destino muito melhor ao seu dinheiro.


P.S.: Eu comprei o livro, impresso, pela Amazon. No começo de fevereiro, após ter lido o livro e visto quão ruim era, entrei no site para ver qual tinha sido o valor investido perdido nele. Ao entrar no site, vi que tinha um botão “devolver” no livro. “Mesmo depois de quase um mês?” pensei. “Mas vamos tentar.”

Cliquei. Próximo passo foi escolher o método de envio. Beleza. Tudo certo. Consegui devolver o livro!

Mas o mais surpreendente ainda estava por vir. Menos de cinco minutos depois, meu celular toca. Uma ligação de Washington (a Amazon é de Seattle. Veja esse artigo sobre o livro com a história espetacular da empresa). Uma pessoa falando um português carregado me perguntando o que havia acontecido com a compra. Eu disse que fiquei insatisfeito com o preço pago pelo livro e o que ele me entregou. E o atendente disse que eu podia ficar com o livro. Não era necessário enviar, e perguntou como eu queria o estorno: se em vale-presente ou no cartão…

Você consegue ter noção do que foi isso? Em menos de cinco minutos o processo deles de feedback ao cliente resolveu uma situação e me surpreendeu com a solução que eles deram. Ali eu percebi que a missão da Amazon de ser cada vez mais obcecada pelo cliente realmente é levada ao extremo. Ruim para a concorrência. Ótimo para o cliente!

A conclusão sobre o livro? Já estou fazendo meu detox com “investindo em ações no longo prazo”.

Um abraço!

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

2 Comentários

  1. marcosdepaula21

    Kkkk….excelente!!!

    • Você comprou? Tomara que não! 😀

      Um abraço e obrigado pelo comentário.

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