COE vinculado ao S&P 500. Vale a pena?

Olá,

Recebi uma proposta de COE que, pela primeira vez, me deixou com uma percepção positiva sobre a possibilidade de se investir nele.

Trata-se de um COE com rentabilidade vinculada ao S&P 500, um índice que reúne as principais empresas que tem capital aberto na bolsa dos EUA.

COE vinculado ao S&P 500. Como funciona?

O COE ao qual eu tive acesso é, na verdade, vinculado à variação de um ETF – Exchange Traded Fund. Mas, o que é isso?

Resumidamente, Exchange Traded Fund (ETF) são fundos negociados em bolsa que visam refletir a rentabilidade de algum índice. Você pode ter um ETF de renda variável que seja atrelado ao IBOV, por exemplo, ou um ETF associado ao índice S&P 500. Veja neste link da Bovespa uma lista de vários ETFs disponíveis para aquisição na bolsa de valores de São Paulo. Basta que você acesse o seu HomeBroker, digite o nome do ETF e compre como se fosse uma ação de alguma empresa. Eles são uma boa alternativa para quem deseja investir em empresas fora do país, por exemplo, com mais simplicidade e praticidade. Você não vai precisar ter uma conta em uma corretora internacional, basta adquirir cotas do ETF.

Certo. Mas como o COE vai funcionar?

Bom, a proposta desse COE é remunerar o investidor tanto na variação positiva quanto negativa do ETF IVV US Equity, que acompanha a variação do S&P 500, um índice que contém as principais companhias americanas de capital aberto (Google, Apple, Amazon etc.). Ao fim de um ano, se a variação for entre -0,01% e -19,99%, o investidor recebe o capital mais a variação absoluta desse valor. Caso a variação seja positiva, o investidor recebe o capital mais a variação.

Atenção: Há uma cláusula de barreira para a variação negativa. Se, em qualquer momento do investimento, o índice cair 20% ou mais, o investidor recebe apenas o capital investido. Mas, mesmo que isso ocorra, se ao final a variação for positiva, recebe o capital mais a variação.

Entendi. Mas pode explicar melhor?

OK. Vamos ver o gráfico de rentabilidade para esse COE:

COE SeP 500 - Variacao indice

Gráfico de rentabilidade do COE. Fonte: DIE.

Perceba que, se ativo subjacente (o IVV no qual o ETF se baseia) cair mais de 20%, a cláusula de barreira determina que o investidor não recebe nenhuma rentabilidade sobre o capital investido. Numa queda menor do que 20%, a rentabilidade é positiva, no mesmo valor da queda. E se o IVV crescer, você recebe o mesmo valor em rentabilidade.

Dá uma olhada nessa tabela de simulações de cenários que tem no DIE – Documento de informações essenciais – do COE.

COE SeP 500 - Cenários de rentabilidade

COE S&P 500 – Cenários de rentabilidade – Fonte: DIE

Ela é bem elucidativa sobre os cenários de ganho e perda. Veja que ela possui dois cenários com mesma variação do índice em 205.20, sendo que em um a barreira foi atingida, com 0% de retorno, e no outro não, garantindo uma rentabilidade de 10%. Já na variação positiva, tem o valor de 273.60 em que há o alcance da barreira, mas a rentabilidade é de 20%.

Lembrando que esses são todos resultados brutos. Incide sobre eles a alíquota de 17,5% de imposto de renda.

COE vinculado ao S&P 500 e a grande pergunta: Vale a pena?

A resposta para isso é, obviamente, pessoal. A decisão será sempre sua. Mas, para sustentar sua decisão, o que você precisa saber é se deseja investir em empresas dos EUA durante esse período de um ano.

O ponto positivo nesse COE é que, num cenário de queda, até 19,99% você estará ganhando. E, caso suba, você também ganha.

Os produtos de COE que eu havia recebido até então não apresentavam um cenário vantajoso. Ou a rentabilidade era baixa, ou havia cláusulas de barreira que não valiam a pena o risco. Nesse caso, se você acredita que investir em empresas americanas pode ser uma boa opção em 2017, então essa alternativa parece viável.

Obviamente, há muitas variáveis envolvidas. O fator Trump conta muito, o mundo está meio estranho. Mas, mesmo se houver uma queda do índice, até 19,99% você ainda ganha.

Veja no bloomberg como foi a evolução da cotação desse índice. Faça suas análises. Veja se vale a pena. A figura abaixo mostra um apanhado dos últimos cinco anos.

Evolução do indice IVV

Evolução do indice IVV – Fonte: Bloomberg

Nesse período, o índice apresentou uma evolução positiva geral. Em 2015, houve uma pequena baixa, voltando a crescer em 2016.

Obviamente isso não nos garante nada para 2017. Não custa lembrar, também, que bolsa é com foco de longo prazo. Particularmente, prefiro investir na bolsa de outras formas. Mas, poder ter acesso ao mercado americano de uma maneira mais simples e com possibilidade de ganhos mesmo em grandes variações negativas tem suas vantagens.


E aí? Entendeu? Ficou com alguma dúvida?

Espero que essas informações possam ajudá-lo a melhorar seus investimentos.

Um abraço!

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

4 Comentários

  1. estou procurando etf ivvb11 a informação que recebi da XP que está disponível apenas para investidores com um milhão de reais
    No blog do valor(ramiro gomes ferreira) diz que o pequeno investidor pode ter acesso ao produto já citado.O que vc pode me dizer?

    • Olá Pedro!

      Pelo regulamento do fundo (você pode obtê-lo aqui), o IVVB11 está disponível para qualquer investidor que:

      (a) aceite todos os riscos inerentes ao investimento no Fundo; e

      (b) busquem retorno de rentabilidade condizente com o objetivo do Fundo, nos termos do Artigo 2º e de sua política de investimento prevista no Artigo 21 deste Regulamento.

      Não há essa restrição de 1 milhão. Ela existia, mas agora não mais.

      Neste fórum no Bastter.com, tem discussões interessantes sobre esse ETF. Dá uma lida, esclarece bastante coisa.

      Um abraço!

  2. enio rocha

    Douglas, quais seriam as diferenças (vantagens e desvantagens) entre a aplicação em um COE com capuital protegido em S&P500 ou HYG? Obrigado

    • Olá Enio!

      Para fazer esse tipo de comparação, primeiro precisamos partir da premissa que você tem um mesmo COE, com as mesmas regras de rentabilidade, proteção de capital etc. A única diferença entre eles seria a escolha entre um ou outro ETF.

      OK. Nesse caso, em primeiro lugar é preciso entender o que significa cada um dos ETFs. O do S&P500 já está explicado no artigo. O do HYG é um índice que se baseia em títulos de maior risco, o que PODE trazer mais retorno. Traduzindo a definição do fundo:

      “O HYG foi o primeiro no mercado de obrigações corporativas de alto rendimento. Durante muitos anos, foi um dos maiores e mais líquidos ETFs de obrigações de lixo, juntamente com o JNK. Sua exposição central através do índice iBoxx que ele rastreia é sólida, cobrindo o canto mais líquido do mercado de lixo indesejável. O HYG replica muito do mercado global de títulos de lixo, mas muitas vezes com menor prazo de maturidade, menos sensibilidade à taxa de juros e também menor rendimento.”

      São junk bonds. Títulos de alto risco.

      Se vale a pena ou não se expor a esse tipo de investimento vai depender do seu perfil e se você realmente acredita que eles podem trazer bons retornos. Para ter uma ideia da evolução do índice, separei três gráficos (Fonte: Bloomberg).

      Evolução do índice HYG nos últimos cinco anos:
      Evolução do índice HYG - 5 anos

      Comparação S&P500 x HYG em um mês (aqui a curva azul é o HYG):
      Comparação S&P500 x HYG - 1 mês

      Comparação S&P500 x HYG em cinco anos (aqui a curva azul é o HYG):
      Comparação S&P500 x HYG - 5 anos

      Veja que nem sempre maior risco representa maior retorno. Mas, como eu disse no artigo, a decisão final é sempre sua. As informações e análises estão aí e espero que te ajudem!

      Um abraço!

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