Análise Fundamentalista

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É preciso ter paciência e disciplina para se manter firme em suas convicções quando o mercado insiste que você está errado.

Olá,

Gostaria de conversar um pouco com você sobre Análise fundamentalista.

Você já ouviu falar? Conhece a fundo o assunto ou quase nada? Sabe da diferença entre a análise fundamentalista e a técnica? Sabe o que é investir em valor?

E por que eu escolhi a escola fundamentalista? É só essa que funciona?

Durante o artigo eu vou abordar todas essas perguntas. Vou também te mostrar o gráfico que me convenceu a ser um fundamentalista.

O gráfico que te convenceu? Que história é essa?

Eu explico já. Antes, eu queria comentar a frase que abre o artigo.

No início era Benjamin Graham

A frase em destaque no início do artigo é de Benjamin Graham. Ele foi um dos precursores do conceito fundamentalista. Ele sempre defendeu que a melhor estratégia para se conseguir êxito investindo em ações é, em um resumo do resumo:

– Buscar, através da análise de alguns indicadores chave, empresas candidatas a terem seu dinheiro;

– Entender o que elas fazem. Se você não se identifica com aquele negócio, então essa empresa não é para você;

– Analisar em detalhes seus aspectos econômicos e financeiros (analisar seus fundamentos);

– Verificar seu valor patrimonial e compará-lo ao valor de mercado atribuído aos papéis. Caso o valor de mercado esteja menor, isso é um indicativo de que essa empresa tem potencial de valorização. Portanto, vale a pena adquirir ações dessa empresa. Você estará investindo em valor, ou seja, numa empresa que tem valor, que tem um potencial de valorização.

– Ao mesmo tempo, se essa empresa está com preço de mercado muito acima do seu valor intrínseco ou se ela apresenta uma degradação em seus fundamentos, significa que é hora de vender, pois ela está perdendo valor.

Quando eu li o livro O Investidor Inteligente, de sua autoria, comecei a conhecer melhor o que dizia o mentor de Warren Buffett e percebi que era algo que realmente fazia sentido. Um investidor inteligente significa, na visão de Benjamin, ser paciente, disciplinado e estar sempre aprendendo. Mais do que um alto QI, investir de maneira inteligente envolve, principalmente, lidar com as suas emoções.

Ora, mas isso também é feito por alguém que vive de Análise Técnica!

Com certeza. Para que um grafista consiga ser bem-sucedido, ele precisa, da mesma maneira, definir uma estratégia, ser paciente (talvez um pouco menos do que o fundamentalista 🙂 ), disciplinado e estar sempre aprendendo. A diferença é que um grafista ou trader escolhe trabalhar analisando os gráficos, por entender que alguns padrões sempre (ou quase sempre) são seguidos. Entre erros e acertos, um grafista sempre está buscando um resultado geral positivo.

Mas, se as duas estratégias são eficazes para alguém que se dedica a uma ou outra, então qual seria a melhor escolha? Por que uma e não a outra?

Escolha da estratégia na bolsa

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Para que você faça essa escolha de como atuar no mercado de ações, algumas variáveis precisam ser analisadas:

Tempo

Para ser alguém que faça análise técnica, você vai precisar de bastante tempo. É preciso se debruçar sobre os números, gráficos, tendências, suportes e resistências… é preciso pegar o jeitão do mercado. Ficar com isso no sangue.

Já para alguém que busca empresas para se tornar sócio, o tempo não é necessariamente tão crucial. É preciso um trabalho inicial maior. Contudo, definidos os indicadores, definidas as empresas que irão compor a sua carteira, as suas análises serão mais sobre balancetes, governança, tendências de longo prazo, lucro etc. A frequência com que você tem de se preocupar com as empresas da sua carteira é trimestral ou anual. Mais do que isso significará que você provavelmente não montou uma boa carteira.

Entender que aquela estratégia faz sentido para você

Para mim, é difícil acreditar que movimentos nos gráficos seguem sempre um padrão. Na minha visão, o mercado é muito errático. Mas eu sei que há analistas técnicos que ganham muito dinheiro fazendo essas leituras do mercado e investindo em opções, por exemplo (veja o caso do Zé, do Clube do Pai Rico. Ele opera opções e consegue boas rentabilidades). Mas para isso o primeiro fator, tempo, conta muito. É preciso acompanhar o mercado de perto, diariamente, para saber qual será a sua melhor decisão. Esse não é o meu caso.

Eu me identifico mais com a ideia de querer me tornar sócio de empresas que trabalham bem, lucram, reinvestem o lucro visando o crescimento e também remuneram adequadamente os seus acionistas.

Buscar referências no mercado que foram bem-sucedidas

Você pode acompanhar a trajetória de grandes investidores que se valeram de uma ou outra estratégia e tomar suas decisões sobre qual seria a mais adequada para você.

Eu tomo como base Benjamin Graham, Warren Buffet e o (polêmico e sincero) Bastter.

Acho que o Bastter tem um desejo real de dar ao pequeno investidor uma visão mais prática, mais simples do mercado, sem muito jargão, sendo honesto e muito coerente nas análises. Ele adota uma visão mais passiva do mercado, ou seja, ele deixa as análises mais complexas para aqueles que querem fazê-la. Ele visa basicamente o lucro consistente das empresas, e isso é o que vai gerar retorno ao investidor. Claro que o contexto geral dos fundamentos das empresa deve ser visto, mas, ao final, o que importa mesmo são lucros consistentes.

Saber se você quer fazer aquilo e o quanto vai se dedicar para conseguir bons resultados no médio-longo prazo

OK você tem tempo. Você acredita que gráficos seguem um padrão. Então você tem tudo para começar a estudar o mundo da análise gráfica… mas você realmente gosta disso? É algo que te motiva? Se não for, nem comece, pois resultados consistentes demoram a chegar. É preciso disciplina e paciência, então esteja preparado.

Como eu não disponho de muito tempo para acompanhar o mercado diariamente e não sou adepto da ideia da previsibilidade do mercado, então escolhi seguir pelo caminho da análise fundamentalista.

Se você já leu um pouco sobre mim, viu que eu comecei meio sem saber direito o que estava fazendo. Só depois de ler mais livros sobre o assunto, eu comecei a estudar mais as empresas e a montar uma carteira visando o longo prazo.

O gráfico que convenceu um fundamentalista

Existem muitos indicadores que podem ser usados no entendimento da saúde financeira de uma empresa. Preço por Lucro (P/L), Dívida, Margem, os fluxos de caixa, Dividend Yield, Payout e tantos outros. Mas uma das coisas mais importantes que você precisa monitorar é o Lucro da empresa e sua evolução. Se a empresa tem lucros constantes e crescentes, isso é o indicador suficiente para que você mantenha essa empresa em sua carteira, pois é aí que o pequeno investidor irá obter o retorno do investimento no longo prazo.

Por quê?

Porque, no longo prazo, a cotação segue o lucro.

A cotação segue o lucro

Quando eu li essa frase eu achei um pouco exagero. Isso é sempre verdade? Quer dizer, se isso for mesmo sempre verdadeiro, então se as empresas da minha carteira forem lucrativas no médio/longo prazo, não preciso me preocupar com muitas outras coisas. Basta acompanhá-las, ver como está a gestão, o mercado, as estratégias, como anda o lucro, e se tudo estiver indo bem é ir comprando mensalmente e deixar o bolo crescer. É isso?

Sim. É isso.

Vou te mostrar alguns exemplos que pesquisei aleatoriamente no site do Bastter, o qual faço uso frequente. Como eu tenho acesso pago eu vou acessar os gráficos e mostrar aqui para você. Essas informações são todas públicas, estão no site da Bovespa, vêm dos balancetes das empresas. Eles consolidam tudo e disponibilizam.

Teste 1: Ambev (ABEV)

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Ah mas aí você foi logo na empresa do cara mais rico do Brasil. Lógico que ia dar certo! O cara vende cerveja!

OK vamos testar com outra. Natura.

Teste 2: Natura (NATU)

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Também deu certo. Veja que a Natura teve um pico de lucratividade (e consequentemente um pico em seu valor de mercado) e após isso vem apresentando resultados ruins (com reflexos diretos na cotação).

Teste 3: Petrobrás

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Mais uma em que a cotação seguiu o lucro no longo prazo.

E que tal uma do ramo de telefonia?

Teste 4: Telefônica (do celular VIVO)

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Eu poderia fazer esse exercício para muitas outras empresas, e te digo que, praticamente em todos os casos que eu analiso, percebo esse comportamento.

Portanto, se você fizer um bom trabalho inicial definindo uma carteira interessante de ações, grandes são as chances de você obter boas rentabilidades no médio/longo prazo, pois estará investindo em valor. E, obviamente, baseando-se em suas análises você pode definir que uma determinada empresa não atende mais seus critérios e, com isso, planejar uma migração para uma outra que esteja mais de acordo com sua estratégia, evitando sempre a ideia do “vou esperar empatar pra sair”. Se houve quebra nos fundamentos, consequentemente afetando o lucro da empresa, ela deixa de ter valor, portanto é hora de buscar outros investimentos de mais valor.


Esses são alguns aspectos da análise fundamentalista. Vou abordar mais o assunto em outros posts, detalhar um pouco mais os indicadores, o conceito do value investing, a diversificação da carteira etc.

Ficou alguma dúvida?

E você? Investe em ações? Utiliza qual abordagem? Fique à vontade para comentar.

Um abraço.

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

7 Comentários

  1. Daniel Mundim

    Muito bom artigo. Valeu!!
    Como você analisa que a empresa perdeu o fundamento e que justifica uma saída? Qual o principal indicador para isso?

    • Obrigado pelo comentário Daniel!

      Não existe um indicador absoluto. Uma dívida alta, por exemplo, pode ser inerente ao ramo da empresa, como acontece com concessionárias, que contraem dívidas para ganhar concessões e vão ter o retorno no longo prazo. É preciso avaliar os indicadores levando-se em consideração a área de atuação da empresa, e sobretudo a evolução dos números.

      De qualquer forma, para todas as empresas que tenho na carteira eu sempre acompanho a evolução do lucro, da dívida e fico de olho na margem líquida, que é o lucro líquido dividido pela receita líquida.

      Se algum desses se altera muito de um trimestre para o outro ou, em empresas mais estabilizadas, de um ano para o outro, é importante colocá-la no radar. Persistindo a piora, eu começo a estratégia de saída.

  2. Muito bom esse post Douglas.

    Estou me interessando também por análise fundamentalista. Uma pergunta: seu capital está todo nesse bolo?

    Abraço.

    • Obrigado pelo comentário Rodrigo!

      Meu capital não está todo em ações. Possuo uma parte em renda fixa e outra (menor) em variável. Para estar todo posicionado em ações, numa estratégia fundamentalista, é preciso ter o psicológico muito bem preparado para as grandes quedas. Eu ainda não passei por uma grande crise com capital alocado diretamente em ações, então é preciso ter cautela!

      Um abraço!

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