Comentários sobre o 1º Seminário SUSEP de Educação Financeira

Olá,

Dia 19 de maio aconteceu o 1º Seminário SUSEP de Educação Financeira. Foi um evento integrante da 3º Semana ENEF.

Eu pude participar desse ótimo evento e gostaria de compartilhar com vocês o que aprendi com os palestrantes.

Se você não pode ir, dê uma olhada no artigo para saber dos assuntos discutidos. Conseguiu aproveitar algum evento de educação financeira aí na sua cidade? Não? Bom, ano que vem teremos mais eventos como esse na semana de educação financeira, então fique atento! Educação financeira é um processo longo de aprendizado. Estude, dedique-se.

Mas vamos às palestras:

Panorama Mundial da Educação Financeira

A primeira palestra foi da Adele Atkinson, PhD. Ela é Analista de Políticas no âmbito da Educação Financeira da OECD e da Unidade de Defesa do Consumidor.

OECD é uma organização internacional para o desenvolvimento e cooperação econômica. Você pode obter mais informações através do site da OECD (em inglês). A missão do órgão é promover políticas que melhorem a economia e o bem-estar social das pessoas em todo o mundo.

A ENEF – Estratégia Nacional de Educação Financeira, com a qual o Brasil está comprometido, tem base nos princípios de alto-nível que são definidos pelo OECD.

Uma das coisas mais importantes que eu pude registrar dessa palestra é que a educação financeira deve ser:

– Objetiva;

– Imparcial;

– Sem atividades de marketing;

– Sem estar ligada a prioridades comerciais.

Quando você busca informações sobre o melhor uso do dinheiro em instituições que vivem do dinheiro, talvez não esteja ali a melhor fonte de aprendizado. O que eu quero dizer? Bom, quando eu vejo uma propaganda do Banco X dizendo para o pai de família contar com o crédito pessoal para pagar as despesas do início do ano, é difícil considerar essa instituição como verdadeiramente comprometida com a educação financeira objetiva e imparcial. Tem marketing e tem prioridades comerciais nessa veiculação.

Outro ponto: Ultimamente, tenho visto alguns sites que estão entrando em conflitos de interesses entre compartilhar o conhecimento sobre dinheiro para a melhoria da educação financeira e obter renda (e muita) com a disponibilização de cursos, e-books etc. Essas fontes de conhecimento em educação financeira estão mais próximas do que é o real conhecimento necessário para se formar uma pessoa que tem consciência e maturidade sobre dinheiro. Mas os interesses têm se misturado. É preciso que você filtre bem tudo isso. Invista dinheiro com cautela. Eu ainda acho que os livros e a internet nos dão boa parte do conhecimento necessário (veja os livros e sites que acompanho).

Ensinando jovens a lidar com o dinheiro

Outro ponto interessante da palestra: A OECD tem investido esforços na educação financeira para jovens. Os motivos, de acordo com a instituição, são:

– Pais geralmente não discutem com filhos a importância do dinheiro;

– Jovens estão tendo cada vez mais autonomia para comprar (veja os cartões de crédito para adolescentes de 13, 14 anos);

– Jovens vão viver muito;

– Muitos deles podem se deparar com situações de desemprego e perda da renda;

– Produtos financeiros são complexos para entender;

– Jovens acessam produtos financeiros digitais mais frequentemente;

– Comportamentos positivos (e negativos) são formados na infância.

Eu gostaria de ter lido mais sobre educação financeira quando criança/adolescente. Aprender a lidar com o dinheiro desde cedo é um enorme diferencial para os jovens.

É por isso também que eu escrevo aqui. Quero que os jovens do meu país tenham acesso a educação financeira de qualidade, objetiva, imparcial, sem estratégias de marketing ou prioridades comerciais.

O que eu estudo e aprendo sobre esse assunto eu sempre vou trazer para cá e compartilhar com você.

A Estratégia Nacional de Educação Financeira – Programas Transversais e Selo ENEF

Essa palestra foi muito boa. Quem ministrou foi a Claudia Forte, superintendente da AEF-Brasil – Associação de Educação Financeira do Brasil.

A AEF foi criada em 2012 pelo CONEF – Comitê Nacional de Educação Financeira, e tem como missão:

promover o desenvolvimento social e econômico por meio do fomento da Educação Financeira no Brasil

A AEF faz pesquisas constantes entre setores da sociedade para mapear as prioridades em termos de apoio e incentivo à educação financeira.

Por exemplo: Eles mapearam que era preciso atuar junto às mulheres atendidas pelo bolsa-família. Dados do Ministério do Desenvolvimento Social mostram que elas representam 94% dos beneficiários do programa, e:

– 55% se declaram responsáveis pelas decisões financeiras;

– 46% já passaram pelo SPC/Serasa, sendo que 29% ainda estão com nome sujo;

– 71% declara que não sobra dinheiro no fim do mês.

Identificaram, também, outro grupo bastante vulnerável: Idosos. Os dados obtidos pelo IBGE (PNAD) mostram que:

– 50% possui menos de dois anos de estudo;

– 62% são chefes de família, sendo que 25% vivem com filhos de mais de 30 anos;

– Pessoas com mais de 65 anos constituem 25% dos casos de superendividamento.

Com esses estudos, a Associação elabora materiais educativos para distribuir para esses grupos sociais.

Outra análise interessante foi a visão da palestrante sobre o ambiente institucional do Brasil. Ele favorece a deseducação financeira. Por quê?

Bom, como exemplo, basta ver o que acontece em nosso país e que não é prática em nenhum outro lugar do mundo: Parcelamento sem juros. Se você vai a um estabelecimento e parcela uma mercadoria em 10 vezes sem juros, você opta por comprar à vista ou parcelar? Ora, se você não vai obter nenhuma vantagem em se descapitalizar, então seria bom dividir a compra. Acontece que isso cria uma cultura do parcelamento. Prestações e mais prestações acabem fugindo ao controle, e dívidas vão sendo criadas.

Se divide em 10 vezes, então, necessariamente, o preço deveria ser diferente. Daí faria sentido ao cidadão poupar por um tempo para adquirir o seu produto.

Educação Financeira como agente de mudança

Um infográfico que eu achei muito bacana que ela apresentou é esse:

Educacao Financeira Transforma

A educação financeira é transformadora. Começa no indivíduo, que gera melhorias para as pessoas ao seu redor (família, amigos), que permite a realização de sonhos e projetos, que gera uma sociedade mais bem preparada e ajuda a reduzir desigualdades, que ao fim cria uma nação mais forte.

Isso é incrível. Saber que você pode ser a força motriz de uma grande mudança, que começa pequena, mas que vai se espalhando e gerando benefícios a toda a sociedade.

Ela conclui indicando os livros preparados pela AEF para as escolas públicas e que estão disponíveis, de graça, para download.

Um excelente material educativo. E de graça. É só você baixar, usar e compartilhar.

A importância da Eduacação Financeira ante os desafios da conjuntura político-econômica

Palestra do Dony de Nuccio, âncora do jornal das 10 da GloboNews. Foi muito boa também.

Ele iniciou apresentando a seguinte história:

Na década de 70, a indústria de relógios da Suíça estava entrando em colapso. Os relógios suíços eram os melhores, mas exatamente por isso, suas vendas estavam indo mal. Como duravam muito, ninguém trocava.

Entre 78 e 83, 80% dos trabalhadores estavam sendo demitidos.

Duas empresas, olhando para aquele cenário desolador, resolveram se unir e incorporaram um conceito da indústria da moda aos seus produtos: coleção.

O relógio passou a ser um artigo de luxo, com coleções, o que fazia com que as pessoas adquirissem mais modelos.

Em 1992, eram a maior empresa do mundo no setor. O nome das duas: Swiss e Watch, que juntas formaram a SwissWatch, ou Swatch.

Em meio a um cenário desolador, conseguiram se reinventar  e saíram na frente.

Como enfrentar o desafio de empreender no Brasil

Uma ideia interessante que ele trouxe na palestra:

O Brasil possui muitos problemas: Rating, Dívida, Inflação, Contas Públicas. Tudo isso cria um ambiente muito desfavorável para o empreendedor. Mas isso pode ser uma coisa boa, pois, num ambiente tão hostil, poucos são os que se aventuram. E isso faz com que haja muito espaço.

Nos EUA, por exemplo, é sabido que é muito mais fácil abrir ou fechar uma empresa. As burocracias são reduzidas, tudo é simplificado para o empreendedor. Isso faz com que haja muito mais gente arriscando-se no mercado. O resultado é uma concorrência gigante, e se você não for muito bom e oferecer um produto ou serviço impecável, você provavelmente vai perder.

Ele pontuou algumas características que precisam estar presentes em um negócio, sobretudo em momentos de crise:

– Adaptabilidade – A empresa precisa estar constantemente preparada para as possíveis mudanças impostas pela tecnologia, governo, mudanças de comportamento do consumidor etc.

– Eficiência – é buscar sempre fazer mais com menos.

– Surpreender – A empresa precisa encantar para fidelizar. Uma empresa que dê ao seu cliente uma experiência nova pode gerar uma emoção que fidelizará o cliente.

– Educação Financeira – sem esse preparo, o empreendedor dificilmente irá prosperar. Controlar entradas e saídas, despesas e receitas, saber como obter crédito etc.


Houve mais algumas palestras mas eu não acompanhei. Caso você queira mais informações sobre o evento acesse o link do seminário. É possível baixar todas as palestras, menos a do Dony de Nuccio.

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Um abraço!

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

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