Até quando você vai adiar a sua independência financeira?

Olá,

O novo nome do secretário da previdência, Marcelo Abi-Ramia Caetano, mostra uma tendência do governo em implantar as necessárias mudanças no nosso sistema previdenciário, visando a sua sustentabilidade no longo prazo.

Caso a reforma da previdência aconteça, é possível que alguns itens hoje válidos para concessões de aposentadoria deixem de valer. A idade mínima é consenso geral entre os especialistas. É provavelmente a primeira alteração a ser inserida. Outras como a extinção de diferenças (homem/mulher, rural/urbano etc.), separação entre previdência e programas assistenciais podem vir também (veja o artigo Reforma da Previdência – Comentários sobre seminário na FGV para entender mais sobre o cenário atual da previdência).

Por que eu estou falando sobre isso?

Porque os impactados dessa mudança seremos eu, você, pessoas que irão se aposentar daqui há 15, 20, 30 anos. Os trabalhadores de hoje, os que sustentam a previdência, podem não ter mais os benefícios que valem agora.

É preciso buscarmos nossa Independência Financeira

É urgente que você entenda que depende de você fazer alguma coisa pelo seu futuro. Depender apenas do governo é um grande risco para você e seus familiares.

Daí eu te pergunto:

– Está buscando formas de ser mais produtivo e ganhar mais ou está no modo automático do “deixa a vida me levar”?

– Está melhorando hábitos de poupança ou ainda gasta mais do que ganha?

– Está aprendendo a investir seu dinheiro com estratégia ou conta apenas com a caderneta de poupança que o seu pai fez para você há alguns anos?

Eu tenho conversado com algumas pessoas e, infelizmente, poucos são os que conseguem entender a importância de se poupar o quanto antes. Por desconhecerem o efeito que isso tem na sua vida, no seu patrimônio, não procuram estudar e entender melhor as oportunidades de investir. Muitos estão apenas vivendo, pagando seus boletos do INSS e contando com o bom e velho governo para bancar suas vidas futuramente. Será suficiente?..

Se é tão importante fazer o nosso pé-de-meia, por que é tão difícil criar uma cultura de poupança e investimento? Quais são os obstáculos que impedem a busca pela independência financeira?

Desculpas

Sempre temos desculpas prontas quando não queremos dar prioridade a alguma coisa. Vamos falar um pouco sobre elas:

Desculpa #1: Não tenho dinheiro

Tentei mostrar a uma pessoa, certa vez, que com 180 reais mensais, em quarenta anos ela teria mais de um milhão. Sendo jovem, ela poderia facilmente alcançar a independência financeira. Ela me disse que não tinha dinheiro para investir. Com certeza, 180 reais pode ser muito dinheiro para alguns.

Na mesma semana em que conversamos, numa ida à praia ela gastou mais de 300 reais.

Significa que você não deve ir à praia? Claro que não. Significa apenas que essa pessoa não entendeu, ainda, a necessidade de poupar e investir. Ela não priorizou isso. Ela teria facilmente os 180 se isso fosse a sua prioridade, se ela internalizasse a necessidade de construir um patrimônio para viver mais tranquilo. Sendo jovem, se você conseguir economizar mais, em pouco tempo seus rendimentos te sustentam. Você consegue sair muito rápido da corrida dos ratos, ou nem entrar nela! O criador do blog Mister Money Mustache (em inglês) trabalhou sete anos, junto com a esposa, e conseguiu criar um patrimônio que hoje o permite viver de seus rendimentos. Ele hoje se dedica ao blog e a trabalhos esporádicos.

Certa vez, preparei algumas tabelas e colei em envelopes para uma outra pessoa que comentava que estava sempre no vermelho. Esses envelopes continham objetivos de curto e médio prazo (ex.: Aniversário do Filho, Viagem…) e em cada semana uma pequena quantia deveria ser colocada no envelope. Ao fim do prazo, teria os valores guardados para os projetos. Isso a ajudaria a estabilizar o orçamento.

Tempos depois, encontrei essa pessoa. Ela não seguiu o planejamento. A desculpa “não tenho dinheiro” foi acionada novamente. Mas as viagens, restaurantes etc. não foram impactados.

Desculpa #2: Não tenho tempo

mulher ocupada

Pessoal, tempo é prioridade. Seu tempo você é quem vai escolher em que aplicá-lo. E se, ao invés de ficar duas horas do dia vendo televisão ou no facebook, você conseguir estudar meia-hora dessas duas? Quem sabe você não consegue ir melhorando seu conhecimento financeiro?

Depois de um tempo, sua maturidade no assunto vai te ajudar a filtrar as informações e você conseguirá otimizar muito o tempo despendido para isso.

Desculpa #3: Investir é muito perigoso

Aí então você, por achar que é perigoso, gasta tudo o chega na sua mão? Bom, preciso te dizer que isso sim pode ser muito perigoso para você e para o seu futuro.

Risco ao investir sempre existe. Seja emprestando seu dinheiro a um amigo, parente, banco, empresa, ao governo… sempre há risco. Mas hoje o sistema financeiro nos concede garantias que acabam mitigando alguns desses riscos.

Investindo em um CDB, por exemplo, você pode ter a garantia do investimento pelo Fundo Garantidor de Crédito – FGC.

Emprestando dinheiro ao governo federal (através da compra de títulos do tesouro), você tem a garantia do próprio governo.

Emprestando a um amigo… bom, nesse caso não há muitas garantias 🙁

O que é mais importante é entender as opções de investimento que temos e buscar aquela que seja mais adequada ao seu perfil, tentando sempre maximizar a sua rentabilidade com uma dose adequada de risco.

Desculpa #4: Não sei como investir

menina e o cofrinho quebrado

Por isso que é importante você estudar, buscar informação. A internet é uma revolução na disseminação do conhecimento. Aproveite isso! Estude, leia livros, faça cursos, informe-se.

Depende apenas de você a escolha entre aprender a investir ou confiar as decisões sobre seu dinheiro a outras pessoas.

Desculpa #5: Não preciso de tanto dinheiro

O que é “tanto dinheiro”? 10 mil reais é muito dinheiro pra você? E 500 mil?

A questão é: Quanto dinheiro seria suficiente para manter o seu padrão de vida? Se sua família tem uma média mensal de gastos de 4.000 reais, então investimentos que rendessem R$ 4.000 ou mais seriam uma boa meta a alcançar.

Não seria bom para você ter um patrimônio que sustentasse seu padrão de vida? Por que contar apenas com o INSS? E por que não conseguir isso BEM antes do INSS? Poupando bastante e mantendo um padrão de vida coerente, não demora muito para você conseguir isso.

Desculpa #6: O dinheiro transforma as pessoas

Essa é um crença limitante que acaba sendo divulgada por algumas instituições. Ora, quer dizer que uma pessoa boa, ao ficar rica, torna-se má? Por quê?

O que te torna bom ou ruim é você mesmo, o seu caráter. A pessoa boa será assim sendo pobre ou sendo rica. Da mesma forma a ruim. A riqueza pode potencializar essas características. Sendo uma pessoa boa, o dinheiro pode dar a oportunidade de espalhar sua bondade. Sendo uma pessoa ruim, infelizmente, pode ajudar a espalhar coisas ruins.

Veja Bill Gates. Ele construiu um império. Tornou-se o homem mais rico do mundo. Uma boa parte da sua riqueza hoje é direcionada a projetos sociais. Sua riqueza o ajudou a disseminar boas ações pelo mundo. Recentemente, vi uma reportagem que mostrava onde ele tem concentrado seus esforços. Ele tem apoiado um projeto que retira água das fezes. Em muitas regiões do mundo, viver sem água é a regra. Isso traria água potável a muitas pessoas que hoje praticamente não a tem.

O dinheiro o transformou em uma pessoa ruim?

Desculpa #7: Vou começar a investir no próximo aumento do salário

Preciso lhe informar que isso não vai acontecer. Não sem antes você firmar com você mesmo o compromisso de começar hoje a mudar o rumo da sua vida.

Pague-se primeiro!

Se você não fizer isso, você pode ganhar R$ 1.000, R$ 2.000, R$ 10.000 que o seu padrão de vida vai sempre se adequar às suas receitas.

Eu passei por isso. Eu guardava dinheiro, mas de maneira errática. Percebi que, se eu não firmasse esse compromisso comigo mesmo, não ia adiantar os aumentos de salário, mudanças de carreira… é preciso pagar-se primeiro.

Eu mudei a planilha de orçamento que usava para colocar os investimentos logo depois da receita. Não achava isso em nenhuma planilha de controle do orçamento. Agora, o que vai para as despesas é o que sobra depois dos investimentos. Pode baixar aqui a planilha caso queira.

Se não está sobrando nada, é provável que o seu padrão de vida esteja muito alto para sua renda, e mudanças talvez sejam necessárias.

Falta Educação Financeira

Infelizmente, a educação financeira da maior parte dos brasileiros é terrível. Quase todos somos criados com uma noção muito errada sobre dinheiro. Não entendemos como ele funciona, somos absorvidos pelo sistema, e passa a ser normal viver apertado, endividado, ostentando viagens, carros, restaurantes…

O que fazer?

Como mudar esse cenário de inércia e começar agora a definir o seu futuro?

Dica #1 para mudar a vida financeira: Mude os seus hábitos

Comece a pensar quais os hábitos que tem colocado você numa situação financeira complicada.

Você tem o hábito de fazer compras por impulso?

Não controla o orçamento?

Tem o hábito de se planejar para as suas atividades? Vai ao supermercado com uma lista de compras ou chega lá e vê o que precisa passeando pelas gôndolas?

Pensa em guardar dinheiro apenas no fim do mês?

Lembre-se de que as suas decisões serão determinantes para o seu sucesso ou o seu fracasso financeiro. Só depende de você.

Dica #2 para mudar a vida financeira: Seja mais produtivo

Eu escrevi um artigo sobre produtividade e outro sobre procrastinação.

Aumentando a sua produtividade você consegue ganhar mais trabalhando a mesma quantidade de horas por semana ou  menos. Ganhando mais você tem a oportunidade de poupar mais e começar a investir seu dinheiro.

Dica #3 para mudar a vida financeira: Simplifique

pai e filho na praia

Essa dica é muito importante: O nosso padrão de vida é o que irá determinar o quão cedo ou tarde conseguiremos viver com o rendimento do nosso capital. Uma ação fundamental no seu dia a dia é sempre analisar seu padrão e verificar o que é necessário e o que não é.

– Tem uma TV a Cabo? Será que é necessário manter o pacote completo de canais? Não está sendo pouco utilizado?

– Mora num lugar muito caro e longe do trabalho? Não seria bom repensar isso? Qual seria o custo-benefício de uma possível mudança? Quanto você poderia economizar com transporte, aluguel?

– Seus passeios envolvem sempre gastar dinheiro? Que tal ir mais à praia, parques gratuitos, bibliotecas?

– Gasta muito com restaurantes? Será que não é melhor diminuir um pouco as saídas e fazer algo mais caseiro?

Dica #4 para mudar a vida financeira: Busque educação financeira. Sempre.

Educar-se financeiramente é um processo para a vida toda. É preciso estar constantemente atualizado. Seja para ganhar mais, seja para poupar mais, seja para investir melhor.

Busque informação de qualidade, isenta. Questione. Opine. Faça cursos, leia livros. Crie a sua maturidade no assunto.

 


 

Guardar dinheiro é algo como fazer dieta. É difícil, foge ao padrão. É preciso esforço, principalmente no começo. O resultado não é imediato. Hábitos como persistência, foco, determinação precisam estar presentes, senão não funciona.

Mas os resultados são formidáveis. Seja numa reeducação alimentar, seja numa nova vida financeira, ver os resultados aparecendo não tem preço.

E você? Já começou seu caminho rumo à independência financeira?

Um abraço!

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

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