Compras por impulso – Quais os motivos? Como evitar?

Olá,

Às vezes, acabamos ouvindo algumas conversas na fila do supermercado, no ônibus… esses dias eu ouvia uma mulher, na minha frente na fila do supermercado, relatando a outra pessoa da fila o que acabara de acontecer:

“Fui comprar fio que o meu marido havia pedido. Não achei. Aí passei em frente à loja e vi essa blusa. Comprei. Ele vai me matar. Saí de casa com dinheiro para comprar fio, vou voltar sem fio e sem dinheiro. Mas eu queria então comprei. E compro mesmo…”

Outro dia eu ia resolver um problema com uma pessoa que trabalhava para nós, na nossa casa. Passávamos numa rua no centro da cidade e havia um bonito vestido na vitrine de uma loja. Veja nossa conversa:

– Nossa que vestido lindo. Se eu tivesse dinheiro eu comprava.

– Mas você está realmente precisando dessa roupa?

– É… sabe né, mulher tá sempre comprando roupa. Eu adoro roupa, mais ainda sapatos. Meu marido já disse que eu não posso ter cartão porque eu não me controlo. Eu queria ser igual a vocês (ela queria dizer igual aos homens), que não ficam querendo comprar…

Esse é um grande problema que vem fazendo a alegria de empresários e a ruína de muitas famílias. Muitas pessoas compram por impulso, gastam o que não tem e se endividam muito.

Compras por impulso: Quais são os motivos?

#1 – Cartões

cartão

Tudo hoje é comprado com cartão. De débito ou de crédito. O uso do cartão nos deixa totalmente alheios ao que pode e ao que não pode ser gasto. O dinheiro de plástico é muito ruim nesse sentido, pois nos faz reféns. Não digo que ele é sempre ruim, mas, antes de você ter um cartão, muitas coisas precisam ser entendidas, senão você vai gastar mais do que ganha.

Por que você acha que empresas dão tanta ênfase ao uso do cartão?

Há algumas semanas, vi uma propaganda de um grande banco incentivando um rapaz a pagar o salgado com cartão de crédito. O amigo ao lado não entendia porque pagar um simples salgado com cartão, e a justificativa do cidadão era que com o cartão ele podia controlar melhor os gastos… será?

Olha, eu faço o controle do orçamento mensalmente e nós concentrávamos muita coisa no cartão de crédito também. Eu achava vantajoso porque eu controlava os gastos, pois via quase todo dia o que ia para o cartão, e além disso ganhava pontos ao utilizar. Só que eu comecei a perceber alguns problemas:

– Eu acompanhava os gastos, mas isso não significava que eu os controlava. O cartão possui dependentes… preciso falar mais? 🙂

– Os pontos parecem ser grande vantagem, mas não se iluda: Se você está ganhando muito ponto é porque está gastando muito! E serão precisos milhares e milhares de pontos para você aproveitar determinados produtos ou serviços que tragam mais vantagem. E, claro, os pontos expiram, e aí você entra num círculo vicioso de gasto-> pontos -> mais gasto -> mais pontos que é um ótimo negócio, mas não para você, pode ter certeza.

Quando nós utilizamos cartões, as grandes redes recebem uma porcentagem da venda. O empresário ganha, pois consegue vender mais, a rede do cartão (que está quase sempre associada a grandes bancos) ganha uma porcentagem da venda, e a gente ganha… compras parceladas e pontos para trocar por muitas “vantagens”…

Isso sem falar no caso de você ter de utilizar os juros do cartão de crédito. Aliás, esse é o grande objetivo do cartão. Atrase uma única parcela e aí entram o IOF (não sabia? O cartão de crédito é um empréstimo, portanto, após o prazo acordado para o pagamento da fatura, incidirá imposto sobre a operação financeira que você fez), taxas e juros, que estão atualmente em 14% AO MÊS! É ou não é uma ótima forma de tirar dinheiro de muita gente?

Quem se comporta como as pessoas que eu mencionei acima deve urgentemente parar de utilizar cartões. A vida financeira precisa ser controlada primeiro. Fazer uma compra de supermercado com dinheiro vivo é muito diferente de você usar um cartão de débito. Pode ter certeza.

#2 – Marketing

marketing

Você já deve saber, mas o marketing estuda muito como influenciar nossas mentes, direcionando-nos para comprar impulsivamente.

O papel do marketing é despertar o desejo.

Seja nas propagandas, seja ao visitar um estabelecimento, empresas estão sempre buscando formas de aguçar os sentidos dos seus consumidores e atraí-los para um contexto aparentemente racional, mas que levam ao consumo impulsivo.

Dê uma olhada neste artigo do site administradores.com, que relata estudos sobre a mente e comportamento humano com relação ao consumo. É surpreendente como somos inconscientemente levados a consumir.

Uma das coisas que destaco do artigo: pesquisas mostram que, num supermercado, clientes gastam 7% a mais quando andam no sentido anti-horário, porque é mais natural para o cérebro. Agora tente lembrar dos supermercados que você frequenta: No meu bairro há três, e nos três o caminho é anti-horário!

#3 – Falta de educação financeira

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A falta de uma boa orientação financeira leva muitos a não valorizar o dinheiro que é ganho. Se você não ganha o suficiente para ter alguma coisa, e tem, com certeza precisou se endividar para adquirir aquele produto ou bem. E quase sempre a juros muito altos. Bom para os que emprestam, ruim para você.

Quando alguém compra por impulso, quase sempre:

– Não sabe o quanto gasta mensalmente;

– Não tem hábitos de poupança;

– Compra algo de que não precisa, gastando dinheiro à toa.

Sintomas de que não há uma boa base financeira.

#4 – Ostentação

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É a vontade de mostrar a outras pessoas que pode-se ter, mesmo que não possa. É gastar o dinheiro que não tem, para comprar coisas de que não se precisa, para agradar a pessoas que não se conhece.

Quem vê um celular no shopping que custa mais do que a sua renda mensal líquida e o adquire, dividindo em 15 vezes no cartão, pode estar querendo apenas ostentar um bem que, racionalmente, não precisaria ter. Muito provavelmente, essa pessoa viveria muito bem com um aparelho que custaria muito menos.

Compras por impulso: Como não entrar nessa?

Se você frequentemente tem esse comportamento, há algumas medidas que podem te ajudar:

#1 – Acabe com os cartões

É a primeira coisa que você precisa fazer. Quanto mais grave a doença, mais potente precisa ser o remédio. Não vá para a rua com um cartão de crédito no bolso enquanto você não souber como usá-lo.

#2 – As três perguntas:

Sempre que você se deparar com algo que queira comprar, responda as três perguntas:

Eu preciso?

Você viu um celular bem bacana, lindão. 4G, 32G de memória, câmera de 50M, à prova d’água… só que você tem um celular comprado há 1 ano e meio, com especificações inferiores, mas funcionando perfeitamente. E aí, você precisa?

Eu posso?

OK digamos que você realmente precise de um celular. O seu já tem cinco anos, está travando… aí você passa em frente àquela loja e vê o mesmo celular, e o preço dele é R$ 3.000 reais. Você pode? Se você tem uma renda mensal de 20.000 reais, talvez você possa. Se você tem uma renda de 2.000 mensais, será que o celular cabe no orçamento?

Tem de ser nesse momento?

OK então você está precisando, e você pode adquirir aquele celular. Você está em frente a ele na loja, o vendedor do seu lado esperando para ouvir o seu “vou levar”. Daí você agradece e diz que volta amanhã.

Você precisa dele realmente AGORA? Você pode deixar para comparar preços na internet. Pode ser até que você ache esse mesmo aparelho mais barato em outra loja, pode ser que você aproveite algum desconto melhor dois dias depois…

Fique tranquilo, promoções estão sempre acontecendo. Não tenha medo de deixar para depois. Você vai analisar melhor, comparar, e vai economizar com certeza.

#3 – Pratique a frugalidade

Ser frugal é viver com o essencial. É consumir de forma consciente. Uma pessoa frugal consome como qualquer outra, mas consome o que realmente precisa. Um frugal está sempre se perguntando:

“Eu preciso?”

Se você já tem um celular adequado, por que comprar outro parcelado em 15 vezes? Se você tem um carro que tem mais de cinco anos, mas está inteiro, por que trocá-lo por um zero? Aliás, se você tem um carro que fica parado na garagem a maioria dos dias, por que mantê-lo?

#4 – Antes de comprar, doar ou vender

Se você não consegue ficar sem comprar roupas e calçados, faça o seguinte: Defina que você só irá comprar mais uma peça de roupa se outra sair do armário. Seja vendendo, seja doando. Hoje há vários brechós online onde você pode oferecer suas peças abandonadas no armário. Tem também comunidades no facebook para venda/troca de vestuário.

Com certeza você vai conseguir se desfazer de algo de que não precisava. Quem sabe até fazer uma grana extra! 🙂

Espero que o artigo possa ter esclarecido para você um pouco mais sobre os motivos desse comportamento. E ficarei muito feliz se essas dicas ajudarem você a melhorar seus hábitos de consumo e a consumir de forma mais consciente.

Tem algum comentário? Compartilhe suas experiências conosco!

Conhece alguém que pode se beneficiar com este artigo? Compartilhe com seus amigos e familiares!

Um abraço!

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

2 Comentários

  1. Markus

    Ótimo seus artigos. Continue publicando está ajudando muito… abs

    • Obrigado pelo comentário e pelo feedback Markus! Esse é o objetivo.

      Um abraço!

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