Tesouro Direto: títulos de longo prazo ou prazos menores com reaplicação?

Olá,

Será que tem diferença entre comprar um título com prazo de 30 anos e comprar títulos de intervalos menores, com reaplicação do montante?

Ao final, terei o mesmo montante? Se não, o montante acumulado será maior em qual das estratégias?

No tesouro direto, podemos escolher títulos com prazos diferentes, variando de alguns poucos anos a títulos com prazo de 30, 35 anos. No momento que escrevo esse artigo temos os seguintes títulos disponíveis para compra:

Titulos_a_venda_TD

O título mais longo vence em 2050. Cerca de 34 anos. É um título que rende 7,27% ao ano mais a variação do IPCA e paga juros semestralmente. Ou seja, de seis em seis meses você recebe, na sua conta, os rendimentos da aplicação.

Há também títulos que vencem em menos tempo, como o IPCA + 2019, com uma taxa menor. Ou o IPCA + com juros semestrais 2026, com uma taxa igual à taxa do que vence em 2050.

Olhando essas opções, pode aparecer a seguinte dúvida:

O que vale mais à pena: Comprar o título que vence em 2026 ou o que vence em 2050?

A resposta é: depende! 🙂

Alguns fatores vão determinar a sua decisão: objetivo do investimento (médio ou longo prazo), sua percepção sobre manter uma aplicação por um longo período… enfim, há muitas variáveis.

Mas eu gostaria de, nesse artigo, ater-me à seguinte comparação: No caso de uma aplicação de longo prazo, em termos de montante final, o que vai valer mais à pena?

Resolvi fazer alguns cálculos (são estimativas! não valores exatos de rentabilidade!) para analisar a diferença no que pagamos de imposto de renda e no total acumulado em cada situação. Vou comparar uma compra única de um título que vence em 30 anos com compras de títulos que vencem em 5 anos, reaplicando o montante a cada vencimento. Ambos os títulos comparados só pagam os juros no vencimento.

Precisei fazer algumas premissas:

1 – A taxa mensal conseguida nas duas aplicações é a mesma (nos títulos com vencimento em 2026 e 2050, vemos que isso de fato ocorreu). Adotei uma taxa mensal média de 0,8% (se considerarmos uma inflação média de 5% ao ano durante o tempo das aplicações e somarmos à taxa de 7,27% que é paga pelos títulos, teremos uma taxa anual de 12,27%. Essa taxa ao mês é de 0,97%. Para sermos mais conservadores, vamos baixar a taxa média para 0,8%);

2 – O montante inicial é o mesmo, utilizei R$ 50.000,00;

3 – Não há outros aportes nos meses seguintes;

4 – Para simplificar, desconsiderei as taxas envolvidas (CBLC e corretora).

Vamos às comparações:

Tesouro Direto – Analise #1: Comprar títulos com prazo de 5 anos e reaplicar o montante:

TD_5_em_5_anos_reaplic

Prazo: 30 anos

Total de Imposto pago: R$ 99.537,94

Montante final no cenário 1: R$ 614.048,35

Tesouro Direto – Análise #2: Comprar o título com vencimento em 30 anos:

TD_30_anos

Prazo: 30 anos

Total de Imposto pago: R$ 123.370,52

Montante final no cenário 2: R$ 749.099,60

As simulações mostram que há um aumento de mais de 22% no resultado final mantendo o principal aplicado em um título de longo prazo. Ou seja, com R$ 50.000,00 iniciais, você ganha mais R$ 135.000,00 reais mantendo o dinheiro aplicado por mais tempo ao invés de ir reaplicando o montante de anos em anos. Perceba que o valor do imposto também é maior na segunda simulação, mas o que importa é que você ganha mais! 🙂

Caso você não tenha um montante inicial, a estratégia de ir comprando mensalmente também pode ser usada, daí você pode ir comprando o mais longe possível (títulos com vencimento mais longo). Eventualmente, um título que você venha comprando mês a mês pode deixar de ser vendido. Sem problema! Verifique os outros disponíveis!

Exemplo: Desde 2015 você, mensalmente, adquire o IPCA+ com vencimento em 2050. Em 2025, esse título deixa de ser comercializado. Você já está aplicando há 10 anos e tem uma meta de obter o montante final em 35 anos. Você analisa os títulos e vê que há um título, também atrelado à inflação, que tem uma boa taxa e vence em 2048. É o mais próximo do seu prazo planejado. Escolha esse e continue com os aportes mensais!

Resumindo:

Se você tem uma estratégia de longo prazo para seu investimento, títulos públicos de prazos mais longos podem ser uma boa estratégia quando comparados com títulos de prazos mais curtos. Pelas simulações, você conseguirá acumular um maior capital ao final. O imposto pago nos prazos menores sai do seu montante acumulado e deixa de render juros, por isso o capital menor.

Os títulos atrelados à inflação (Tesouro IPCA) são uma boa alternativa nesses casos, pois entregam uma rentabilidade anual que sempre será acima da inflação, protegendo o seu capital ao longo dos anos. Mas, atenção! Inflação muito alta é um grande risco, até para esses tipos de investimento. Eu comento mais sobre isso no artigo O maior risco do tesouro direto.

Obviamente, cada caso é um caso. Manter o dinheiro parado por tampo tempo pode não ser a escolha de alguns. É preciso ter em mente que o capital estará sujeito a oscilações durante o período da aplicação. É garantido a você a taxa pactuada no momento da compra, mas pode haver variações nos valores dos títulos no período de investimento. É preciso, então, analisar e decidir por conta própria, baseado nos seus planos de investimento.

Caso você queira fazer mais simulações, o site do tesouro possui esse simulador que é muito bom. Analise os cenários, veja o que é melhor para você e invista! Seu futuro agradece!

Um abraço!

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

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