O Homem de mais sorte da Babilônia

Olá,

Nesse artigo vou resumir pra você um dos capítulos do excelente livro O homem mais rico da Babilônia. Trata-se do último capítulo, entitulado “O Homem de mais sorte da Babilônia”. Ele mostra como devemos fazer um trabalho bem-feito, sempre.

O Homem de mais sorte da Babilônia


O homem de mais sorte da babilônia

Sharru Nada, o mais importante comerciante da babilônia, voltava de Damasco com sua caravana. Uma caravana grande, de um homem muito rico, que trabalhou arduamente para conquistar seu patrimônio.  Junto dele estava Hadan Gula, neto de um velho amigo e sócio, Arad Gula, com o qual possuía uma dívida de gratidão para toda a vida. Arad conquistou riqueza e respeito, assim como Sharru. Hadan Gula admirava os feitos do avô, mas não sabia o que fazer para prosperar na vida. Ele não gostava de trabalho e ostentava anéis e brincos por todo o corpo. Sharru Nada estava preocupado com o jovem.

Durante o trajeto, Sharru Nada perguntou ao rapaz o que ele faria se estivesse em seu lugar. Hadan disse que, diferentemente de Sharru, que só trabalhava, acompanhando suas caravanas e cuidando de suas muitas tarefas, ele iria gozar a vida. Levaria uma vida de príncipe. Nunca iria montar um animal para atravessar desertos. Gastaria todos os ciclos que em sua mão aparecessem. Uma vida ao seu gosto, que realmente valeria a pena.

“Não reservaria tempo algum para trabalhar?” Perguntou Sharru.

“Trabalho é para escravos.” Foi a resposta de Hadan.

Quando se aproximavam das muralhas da Babilônia, Sharru viu três velhos homens que aravam o campo. Ele espantou-se quando percebeu que, há quarenta anos, ele passara pelos mesmos três homens, que faziam a mesma atividade. Inúmeras recordações vieram-lhe à mente e ele decidiu que deveria ajudar o neto de seu grande amigo.

Sharru, então, começou a contar-lhe a sua história e a do avô de Hadan. A história que o jovem nunca ouvira.

A história de Sharru Nada e Arad Gula

Muitos anos antes, quando passava por aquela região, Sharru era um escravo que estava sendo levado, com muitos outros, para ser vendido na Babilônia. Seu irmão se envolveu com o jogo e numa discussão matou um amigo de copo. Para salvá-lo, o pai entregou Sharru à viúva. Sem dinheiro para libertá-lo, ele foi vendido para um mercador de escravos.

Em um determinado trecho da estrada, eles passaram por homens que aravam a terra de forma negligente, cavando raso, de forma que não haveria boa colheita com aquele trabalho ruim.

Os escravos começaram então a discutir sobre trabalho. Um deles, chamado Megiddo, disse que a atitude dos homens não era sensata. Que o trabalho deveria ser bem feito, de forma que o amo se alegrasse daquilo. Alguns, no entanto, diziam que isso só traria a eles mais problemas, pois seriam cada vez mais explorados, por trabalharem bem. Iriam acabar carregando tijolos e morreriam de tanto trabalhar, como tantos outros.

Sharru pensava sobre tudo aquilo, enquanto se aproximavam da cidade da Babilônia.

Já prestes a serem vendidos, percebendo que iriam se separar, Megiddo disse-lhe:

“Alguns homens o odeiam. Fazem dele um inimigo. É melhor tratá-lo como um amigo, aprender a gostar dele. Não se preocupe com que seja árduo. Se pensar nisso como uma casa que você constrói, então quem se importa que as vigas sejam pesadas ou que se ache distante o lugar aonde tem de apanhar água para o estuque? Prometa-me, rapaz, que se tiver um amo vai trabalhar para ele o mais arduamente que puder. Se ele não apreciar tudo quanto você faz, não se preocupe. Lembre-se, o trabalho bem-feito traz satisfação a quem quer que o tenha realizado e torna o homem melhor.

Ali eles se separaram. Sharru seguiu com um amo que procurava por alguém que fosse padeiro. Mesmo não conhecendo nada sobre isso, Sharru propôs ao homem que se esforçaria ao máximo para preparar para ele produtos como nunca vira antes. Percebendo a motivação nas palavras de Sharru, o homem quis levá-lo.

Nos dias que se sucederam, o escravo recém-adquirido quis aprender tudo sobre seu novo ofício. Dedicava-se muito, e isso agradava seu amo.

Aos poucos Sharru foi adquirindo experiência, e percebeu que poderia fazer algo que lhe fosse útil para conquistar (comprar) a sua liberdade. Propôs ao amo que, em seu tempo livre, vendesse os pães-de-mel que faziam nas ruas da redondeza, ficando com uma parte dos lucros. Seu amo, percebendo que poderia ganhar mais, aceitou a proposta.

Sharru começou a ganhar seus próprios rendimentos. O trabalho estava compensando, exatamente como seu amigo Megiddo havia lhe falado.

Aos poucos, Sharru ia criando uma clientela fiel. E um de seus clientes era Arad Gula, avô de Hadan Gula. Ele vendia tapetes na cidade.

Certo dia, Arad Gula perguntou a Sharru Nada: “Por que trabalha tão arduamente?”. Sharru, então, contou a Arad o que Megiddo havia dito sobre o trabalho e como este estava provando ser seu melhor amigo. Mostrou a sua bolsa cheia de moedas, e disse que economizava a fim de consquistar sua liberdade.

Arad disse à Sharru que também era um escravo, assim como Sharru. Ele havia feito uma sociedade com seu amo e estava prestes a conquistar sua liberdade, com o dinheiro que estava ganhando. Mas Arad estava com medo. Não vendia mais tão bem e tinha receio de seguir sozinho após ter sua liberdade.

Nesse momento, Hadan Gula interpelou Sharru: “Alto lá! Não ouvirei mentiras que ultrajem meu avô. Ele não foi escravo.”

Sharru disse a Hadan que, mesmo tendo sido um escravo, foi a atitude de querer prosperar e trabalhar que transformou o seu avô num homem rico e importante.

Continuando o relato, Sharru, quando percebera o medo e a incerteza em Arad Gula, disse que ele não deveria se deixar tomar pelo medo e sim adquirir sua liberdade e trabalhar com mais dedicação ainda: “Decida o que quer realizar e o trabalho o ajudará a fazê-lo”. Arad agradeceu à Sharru por tê-lo censurado por sua covardia.

As coisas estavam melhorando para Sharru Nada, mas seu amo, Nana-naid, estava se envolvendo com jogos e se endividando cada vez mais.

Certo dia, apareceu na casa de seu amo um homem que vinha avaliar Sharru. Seu amo o havia penhorado para honrar dívidas com o jogo. Sharru foi levado. Mais uma vez, o jogo definia sua má sorte. Pode levar apenas a roupa do corpo e sua bolsa de moedas.

Seu destino foi trabalhar na construção de uma seção do Grande Canal. Chegando lá, tratou de esconder sua bolsa de moedas e marcar o local, embora não tivesse mais esperanças de vê-la novamente.

Sharru sofreu muito no novo trabalho. Lembrando-se das palavras de Megiddo, mantinha a vontade de trabalhar e de fazê-lo bem-feito. Mas, com o passar dos meses, sem dormir e comendo como porcos se alimentam da lavagem, começou a perder suas esperanças. Começou a pensar se o seu destino não seria realmente esse. Morrer como um escravo.

Num certo dia, após muitos meses de trabalho, Sharru foi chamado para a casa de seu amo. Um mensageiro veio buscá-lo. Desenterrou sua bolsa e seguiu caminho junto com o mensageiro. Ao chegar na casa, deparou-se com Arad Gula.

“Procurei-o por toda parte. Quando já me dava por vencido, encontrei seu nobre dono. As negociações foram difíceis, por causa dele, que ainda me fez pagar um preço exorbitante, mas você merecia todos os sacrifícios. Sua filosofia e iniciativa foram minha inspiração para esse novo sucesso.”

Arad pegou a tabuinha de argila com o título de propriedade de Sharru Nada e a arremesou no chão. Sharru era agora um homem livre.

Arad queria que Sharru fosse seu sócio. Ele estava se preparando para uma grande viagem. Quando ele estava com medo, as palavras de Sharru foram o incentivo para que ele seguisse adiante. Arad Gula conquistou sua liberdade e prosperou. Agora queria Sharru Nada ao seu lado.

Naquele momento, Sharru Nada constatou que era, sem dúvidas, o homem de mais sorte na Babilônia.

Após ouvir a história, Hadan entendeu que seu avô conquistou respeito, dinheiro, amigos, através do trabalho. O trabalho era, então, a chave para o sucesso de seu avô, assim como o foi para Sharru Nada. Daquele dia em diante, decidiu que seria como seu avô. Agradeu a Sharru Nada por ter dado a ele a chave para o sucesso.

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E aí? Gostou? Esse é um ótimo livro. Recomendo muito a leitura.

Um abraço.

Melhorar sua vida financeira só depende de você!

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